O impacto do processo de aprendizagem organizacional com foco na capacitação da nova e atual liderança do setor

11
Jun
2019

Vamos falar de educação para liderança na saúde?

Por: CBEXs

Diante da competitividade do mercado, o desenvolvimento da liderança na saúde vem sendo assunto chave de discussão em diversos eventos estratégicos do setor. O líder de saúde, segundo Organização Mundial da Saúde [1] (OMS), é a “pessoa que gerencia: volume e cobertura de serviços (planejamento, implementação e avaliação); recursos (pessoal, orçamentos, medicamentos, equipamentos, informações); relações externas e parceiros, incluindo usuários do serviço de saúde”.

Pensando no conceito macro de liderança, que sofreu inúmeras mudanças ao longo do tempo, Robbins (2002, p. 304) defende que “liderança é a capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos”.

Portanto, é um grande desafio da atual e nova liderança, coordenar a prestação dos serviços de saúde, a fim de saber gerenciar desde alta tecnologia até gerir processos com uma diversidade administrativa considerável no setor.

Frente a este cenário, é de extrema importância ter um olhar diferenciado para a educação contínua destes gestores e líderes de saúde, como também, reconhecer a necessidade de redesenhar os sistemas de trabalho, para um ambiente mais flexível e criativo, com equipes integradas e times com conhecimentos complementares, que, de forma matricial e com autonomia, estão mais aptos a encontrar respostas mais rápidas e mais certeiras.

Um estudo realizado pelo Instituto Coalizão Saúde Brasil (ICOS): Uma agenda para transformar o sistema de saúde (2016), mostra que, comparado com os sistemas de saúde referência no mundo, o sistema brasileiro de saúde é mais centrado no médico e possuem baixo uso de indicadores de desempenho.

A realidade brasileira é retratada num cenário onde muitos cargos de gestão na saúde são ocupados por profissionais de formação generalista, ou até mesmo, por motivos de confiar que eles possuem mais conhecimento das particularidades da saúde, temos profissionais médicos liderando equipes, sem uma formação específica sobre gestão na saúde brasileira.

Ao comparar o Brasil com sistemas de referências como Rússia e Estados Unidos, observa-se poucos incentivos para formação de gestores na saúde brasileira, contendo poucas opções de especializações em gestão, o que acaba tornando o setor não atraente para profissionais de outras áreas. No Reino Unido, 78% da liderança de hospitais públicos é formado por não-médicos. Este número é ainda maior nos Estados Unidos (95%). Sobre cursos especializados para o setor, temos no Reino Unidos, 92 cursos de pós-graduação em gestão de saúde, e nos Estados Unidos 57 programas de dupla graduação, com foco em Medicina e Administração. Isso evidencia a carência de profissionais formados em gestão na saúde (ICOS, 2016, p.38).

Segundo estudo do ICOS (2016, p. 38) “o setor não tem maturidade de gestão, pois não é atraente financeiramente para os gestores do mercado”, e se tomarmos como desafio tornar a gestão mais eficiente e transparente poderemos ter um impacto relevante na sustentabilidade financeira, na qualidade e na satisfação no sistema de saúde brasileiro.

O CBEXs acredita que o processo de aprendizagem organizacional é conduzido e acompanhados através de programas de formação de equipe, com experiência completa, desde preparação, aplicação e transferência, embasados na metodologia andragógica que é a ciência que estuda a educação para adultos em busca de uma aprendizagem efetiva, como defende o Malcolm Knowles, considerado o pai da andragogia. Conhecer as competências necessárias para os profissionais, atrelado ao cenário que eles enfrentam no mercado, direcionará os esforços dos líderes para os pontos de melhorias e que precisam ser desenvolvidos.

Através desse processo de aprendizagem, os adultos aprendem com a finalidade de resolver problemas imediatos, como também, casos práticos do dia a dia, tendo uma facilidade maior de aprender quando se encontram em ambientes flexíveis e livres de ameaças.

No cenário atual, para garantir que os líderes de saúde tenham competências apropriadas, as empresas fazem treinamentos de curta duração, em formatos de workshops e eventos, muitas vezes de forma duplicada, sem foco no líder, com objetivo de cumprir a meta de desenvolvimento das pessoas da organização. O treinamento geralmente se concentra no conhecimento dos indivíduos, e não nas habilidades, atitudes e comportamentos das equipes de gestão.

A educação é fundamental e está relacionada diretamente com a valorização da formação acadêmica e ao aperfeiçoamento dessa competência. Dado que a liderança pode ser compreendida e desenvolvida, é necessário que haja interesse e iniciativa tanto por parte das pessoas (que almejam serem líderes) quanto das instituições.

Outro desafio das empresas é que o desenvolvimento de competências é muitas vezes dirigido por curto prazo, estreitamente focado na necessidade, em vez de visar o fornecimento de competências que os líderes buscam a longo prazo, que trazer benefícios transversais mais amplos.

Deixar claro os papéis e tarefas que devem ser realizadas, como também, as competências que precisam ser desenvolvidas para cada posição de gestão é prioridade para o setor. Após mapeadas, estas informações sobre as competências gerenciais devem ser usadas para desenvolver planos com soluções educacionais para o desenvolvimento dos líderes de saúde, de diversas táticas de aprendizagem: presencial, online, mentoring, action learning, on the job, leituras de artigos, podcast, livros, games, pílulas de conhecimento, entre outros formatos.

Pensando nisso, o CBEXs desenvolveu programas educacionais que seguem metodologias e processo de aprendizagem ágeis, disruptivos e focados para a área de saúde. Conheça nossas soluções!

Referências:

COALIZÃO SAÚDE BRASIL: UMA AGENDA PARA TRANSFORMAR O SISTEMA DE SAÚDE, São Paulo, 2016, p. 34-54.

OMS – Organização Mundial de Saúde, 2007, <http://apps.who.int/iris/handle/10665/70023>. Acessado em: 01/11/2018.

ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. 9 ed. São Paulo: Pretence Hall, 2002.

[1] http://apps.who.int/iris/handle/10665/70023

*Artigo feito por Larissa Eloi, Diretora de Educação Executiva do CBEXs