Transformação digital em saúde: cenários em que seu uso trará eficiência para o mercado da saúde

Muito se tem falado sobre a importância de ferramentas que permitam coletar informações de vários aspectos da vida do paciente, como prontuários eletrônicos cada vez mais eficientes, a internet das coisas e seus dispositivos.

Mas o que será feito a partir destes dados é a verdadeira transformação digital que está por vir.

Com a inteligência artificial, por exemplo, é possível processar este grande volume de dados para identificar padrões que envolvem dados genéticos, hábitos de vida, influência do ambiente onde a pessoa está inserida, para fazer previsões sobre a saúde de uma pessoa e, com isso, auxiliar na prevenção de doenças.

Mas o que isso quer dizer na prática?

Vamos discutir abaixo 4 cenários em que a ciência de dados e a inteligência artificial poderão contribuir para melhorar a forma como entregamos saúde:

1 – Eliminar o trabalho burocrático do médico em preencher prontuários e guias. Usando ferramentas como reconhecimento de voz, computadores e demais objetos que separam o médico do paciente podem ser retirados, estreitando a comunicação entre eles e dando ao médico mais tempo para dedicar-se ao doente;

2 – Tinder da saúde fazer uma melhor conexão entre o paciente e o serviço de que ele precisa com o prestador de saúde. O mercado da saúde tem uma grande carência de tecnologias que avaliem a eficiência dos prestadores de saúde (incluindo profissionais e instituições) tanto no curto quanto no longo prazo. Ainda nos baseamos muito no famoso boca-a-boca para isso. Dar mais informações para o paciente tomar suas próprias decisões também permite que ele se empodere para cuidar de outros aspectos da sua saúde;

3 – Melhoria nos processos de diagnóstico e de conduta médica com o poder da inteligência artificial e a técnica de machine learning, é possível avaliar exames complexos como uma ressonância magnética de forma mais assertiva e rápida. Somando-se à história do paciente, são identificados padrões que permitem fazer previsões sobre o futuro do paciente. E incorporando dados de um grande número de estudos científicos disponíveis sobre a doença em questão, também se pode sugerir o melhor tratamento para o caso. Isso tudo permite maior agilidade em todo o processo de diagnóstico e tomada de decisão, em especial para os casos mais simples (uma boa parte dos casos), e ainda reduz custos. Desse modo, os médicos dispõem de mais tempo para se dedicar aos casos complexos.

4 – Uso de inúmeras fontes de dados para otimizar desfecho clínico: várias fontes combinadas de informação do paciente como celulares e wearables (“vestíveis”, como relógios), fornecem uma avaliação mais global sobre a pessoa. Da saúde dos seus familiares, seu padrão de alimentação até o quanto a pessoa se exercita, a inteligência artificial pode usar disto para atuar como um coach para apoio de decisão dos médicos e também para auxiliar os indivíduos a serem mais saudáveis

Apesar de todo o potencial desta tecnologia, é importante termos atenção a dois pontos importantes. Um deles se refere à segurança dos dados dos indivíduos. Este é um assunto que tem sido muito debatido e, de forma prudente, várias instituições se mobilizaram para a regulamentação, como a LGPD. 

E outro ponto de muita relevância é direcionado aos profissionais da saúde. Os profissionais precisam estar cientes da necessidade de adquirir novas competências para acompanhar este processo, porém não devem temê-lo. Os avanços tecnológicos podem eliminar de suas rotinas tarefas repetitivas, e dar a eles mais tempo e ferramentas para se dedicarem a casos complexos e na interação com pacientes, justamente as atividades que lhes são mais satisfação.

Samanta Dallagnese, associada CBEXs, médica com experiência em gestão médica e especializando-se em Ciência de Dados (Participante do CBEXs Futuro)