O especialista Bruno Haddad, Líder de Proposição de Valor da KPMG promoveu discussão sobre o tema “Remuneração por Performance” no último Webinar CBEXs.

14
Jun
2017

Os princípios básicos para a implementação da remuneração por performance na área da saúde

Por: Marketing CBEXs

O pagamento por performance em saúde é parte de uma cadeia de desempenho que tem o objetivo de melhorar os resultados e a qualidade de processos que envolvem a relação entre o financiamento e a prestação de serviços de saúde.

Neste contexto, o especialista Bruno Haddad, Líder de Proposição de Valor da KPMG e responsável pelo gerenciamento de serviços para reestruturação para entidades de saúde, foi o convidado especial do Webinar CBEXs sobre “Remuneração por Performance”, que aconteceu no último dia 7.

O tema em questão tem sido bem discutido nos últimos anos no mercado em que muitos falam sobre o assunto, mas poucos realmente conseguem implementar. Neste sentido, o bate-papo dividiu com os internautas algumas questões práticas e levantou aspectos mais conceituais do que é preciso fazer hoje no país no ciclo de cuidado no contexto de saúde para que ele não caminhe para o insucesso.

Os problemas mais comuns da saúde no mundo e a origem da Cadeia de Saúde baseada no Valor, deram origem à remuneração por performance, atrelada aos custos com a saúde estarem se tornando insustentáveis para fontes pagadoras e economias do mundo pelo sistema de saúde ser fragmentado para o paciente e para quem presta o serviço. Além disso, é comum haver desperdício como consequência da baixa qualidade do serviço prestado e alto custo, e o modelo Fee for Service estimula o volume e não está orientado para o valor gerado ao paciente.

Enquanto não houver foco e a intenção de tornar este ciclo de cuidado entre operadoras e prestadores mais transparente no contexto de negociação e de relacionamento, fica cada vez mais distante a possiblidade de mudança do modelo atual de remuneração e criação de uma condição mínima de confiança entre as partes.

Os 4 métodos para modelos de pagamentos

Ao se pensar na metodologia que pode ser aplicada para modelos de pagamento, é preciso entender como ela se correlaciona entre você e o prestador, e você e a operadora com seus parceiros. Como é possível estruturar essa metodologia de forma amigável e que exista comunicação com o seu parceiro para que se consiga iniciar o processo de mudança do modelo?

Para responder a estas questões e ser possível escolher o melhor método, é preciso analisar as quatro metodologias disponíveis:

  • Fee For Service: método tradicional de remuneração por serviço, que incentiva o tratamento e estimula a produtividade. O ponto negativo é que leva a um tratamento excessivo, custos crescentes e fragmentação;
  • Capitation: pagamento único para uma população atribuída, que freia custo e fornece um pouco mais de incentivo para a produtividade. Porém, pode levar à ineficiência e filas de espera;
  • Bundles: pagamento por pacote de atendimento, que incentiva o tratamento e a eficiência por cuidado coordenado. O principal problema é que pode levar ao excesso de tratamento e aumento de custos;
  • Blocks: montante fixo para provedor individual com diversos serviços para a limitação de custos. Porém, pode causar ineficiência e racionamento de cuidados sob a forma de listas de espera.

Princípios de implementação do pagamento baseado em valor

É preciso ter atenção para os seguintes princípios na implementação da remuneração por performance:

  • Governança Financeira: como distribuir fundos entre as organizações ao longo do contínuo cuidado? Como lidar com mudanças previstas ou imprevistas no fluxo de pacientes, alterando o nível de demanda ao longo de todo cuidado?
  • Governança Clínica:

     – Estabelecer os padrões de atendimento clínico que devem atender ou exceder os padrões de contratação baseados em valor;

       – Monitorar e gerenciar os resultados do paciente;

       – Priorizar a criação, implementação, supervisão e melhoria contínua das melhores práticas médicas baseadas em evidências que mais contribuam para fechar as lacunas de desempenho clínico identificadas;

        – Melhorar os resultados clínicos e financeiros

  • Governança de IT/ Dados:

      – Compartilhar dados entre parceiros e processos de relatórios e monitoramento

     – Garantir a interoperabilidade das plataformas de fornecedores parceiros para compartilhar dados

     – Padronizar definições de dados para facilitar a tomada de decisões clínicas e de negócios de forma precisa e acurada

“Da forma como o modelo está estruturado hoje, dificilmente as operações vão conseguir se sustentar daqui há 5 anos. Esse modelo precisa mudar urgentemente dentro da cadeia e precisa haver maturidade de avaliação e avaliação de risco mais atrelada a relacionamento entre as partes para que exista alguma chance de sucesso nessa condição. ”, conclui Bruno Haddad.

Para isso, é preciso fazer o aprofundamento dos modelos de remuneração, pensando em como estruturar a performance dos dois lados, acreditando que é possível implementar, mesmo que seja de forma diferenciada. É necessário se estabelecer a mudança para que se crie a confiança no processo para poder evoluir com base no livro de diagnóstico da população, otimizando e criando mais vaga e ociosidade para que esse ciclo gere mais para todos e reduza custo por atendimento individual.

Como é a metodologia de remuneração da sua instituição? Conte para o CBEXs nos comentários abaixo.