19
Abr
2017

Os desafios e as tendências em acesso a saúde sob a perspectiva dos gestores da área- parte 2

Por: CBEXs

Em continuação ao debate sobre o tema “Os Desafios e as tendências em acesso a saúde sob a perspectiva dos gestores da área”, iniciado no post anterior, trazemos a visão da professora Claudia Araújo e de Daniel Coudry, Fellow CBEXs e Diretor Rede Nacional da Amil Saúde, para concluir.

Assim como o Dr. Balestrin, a professora Claudia Araújo acredita que o paciente no centro seja o elo que permite alinhar diversos incentivos e agentes que estão contemplados no sistema de acesso e na política de acesso de um país. Se todos compartilharem esse valor e proverem saúde, e não só o mercado da saúde, pode ser possível começar um diálogo e uma diplomacia efetiva, que traga a solução para a melhora da qualidade de vida da população.

Diante deste cenário, ela apresenta cinco desafios e tendências para a área de acesso:

  1. Quando se fala em paciente no centro, é importante refletir o que se está buscando com aquela nova tecnologia, aquele novo medicamento ou o acesso aquela inovação. A adesão é o fundamento básico para isso, pois o paciente precisa aderir ao tratamento básico. É preciso pensar que isso envolve questões sociais, não só no comportamento do paciente, mas em um contexto socioeconômico, educação, a questão das culturas e crenças locais;
  1. É preciso pensar em uma proposição de valor que efetivamente entenda e integre um sistema e uma estratégia de acesso. É fundamental discorrer pela perspectiva dos pagadores, quais são os objetivos, os incentivos daquele sistema de saúde daquele país, o que se está buscando e como essa nova tecnologia pode agregar aquilo que se propõe em termos de sistemas de saúde daquele país. Para conseguir uma proposição de valor que agregue a população é preciso repensar valores, ética, políticas públicas, remuneração e incentivos para pensar o paciente no centro;
  1. Repensar os dados disponíveis, trabalhar a questão da inteligência de mercado e da judicialização. Como agregar soluções ao paciente, serviços à produção do medicamento ou do equipamento médico, ao invés de apenas entregar o medicamento. As tecnologias estão viabilizando outras formas de se relacionar e criar valor para o paciente, como é o caso da impressora 3D, os aplicativos onde os pacientes querem acessar os médicos em qualquer lugar e hora ou outros dispositivos que tragam inovação para o paciente.
  1. Pessoas são o elemento fundamental em qualquer discussão. Quais são as competências necessárias dos líderes para ter um sistema de acesso efetivo? Há uma concordância sobre o que é acesso entre os líderes das organizações que estão buscando o acesso, é preciso entender primeiro antes de buscar as competências.
  1. Reflexão sobre infraestrutura, logística e a cadeia de suprimentos e seus riscos no Brasil. O grande desafio de efetivamente entregar aquele medicamento com segurança para a população de todas as regiões diante das muitas dificuldades no nosso país e série de elementos que precisam ser levados em consideração.

Do ponto de vista de Daniel Coudry, Fellow CBEXs e Diretor Rede Nacional da Amil Saúde, os principais pontos básicos no debate sobre os modelos inovadores de acesso são:

  • É preciso ter uma gestão eficiente;
  • Transparência como pré-requisito de tudo o que se faz. É ela que vai gerar confiança;
  • Judicialização. Não é possível mais prever a sua viabilidade financeira. O sistema todo requer regras mais justas;
  • Evidências médicas serão base para todas as transformações dos próximos anos. Elas trazem o poder da argumentação e do convencimento;
  • A tecnologia como aceleradora do acesso a saúde. A inteligência artificial vai influenciar todos os processos das organizações de saúde, desde a regulação até o controle das contas médicas, a gestão da saúde populacional ou os benefícios;

Esse debate leva a conclusão de que existe a necessidade de um profundo alinhamento entre todas as partes da cadeia de saúde para que haja um alinhamento voltado para o paciente no centro do cuidado. E o CBEXs tem importante papel de atuação no sentido de desenvolver essa percepção, além das habilidades, competências e posturas importantes para um gestor. Ele acredita que os profissionais e gestores de saúde sejam capazes de transformar o sistema de saúde, independente da companhia ou da instituição a qual estão vinculados. Por meio da reunião de esforços, da inteligência e da massa crítica, é possível impulsionar o sistema de saúde para que ele seja motivo de orgulho e se torne referência para outros sistemas no mundo.

Agora o CBEXs convida você a participar dessa discussão sobre as tendências e desafios enfrentados pela área de acesso a saúde no Brasil. Deixe sua opinião ou comentários!