12
Abr
2017

Os desafios e as tendências em acesso a saúde sob a perspectiva dos gestores da área – parte 1

Por: CBEXs

Já é de conhecimento geral que a desigualdade de acesso a saúde no Brasil persiste principalmente por conta da defasagem de profissionais qualificados para atuar na área e a falta de aprovação de procedimentos pelo SUS. O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgou em 2012 que a presença do estado na área de saúde é desigual por conta de as regiões menos desenvolvidas terem carência destes profissionais e menor número de leitos disponíveis para internação.

Diante deste preocupante cenário, o CBEXs convidou gestores de saúde para participarem da discussão sobre “Novas Tendências e Modelos Inovadores de Acesso à Saúde” durante o SAHE – South America Health Exhibition, em março. Entre eles, a Fellow CBEXs e Diretora de Acesso ao Mercado da Sanofi Brasil, Fernanda Machado, seguida por um debate moderado por Francisco Balestrin, Presidente do Conselho de Administração do CBEXs, com a presença de Claudia Araújo, Professora Adjunta do Instituto COPPEAD de Administração da Federal University of Rio de Janeiro, e Daniel Coudry, Fellow CBEXs e Diretor Rede Nacional da Amil Saúde.

Para Fernanda Machado, promover acesso a saúde é justamente o que as organizações têm se proposto a fazer. Mas para isso, é preciso avaliar a necessidade e entender o que poderia ser feito em conjunto para o desenvolvimento de soluções. Quando o assunto é acesso ao mercado, é preciso se atentar ao objetivo final, de acessar o paciente e prover acesso aos medicamentos para as soluções de saúde necessárias para a população. Para qualquer estratégia ou qualquer modelo que se adote, não se pode perder o paciente como centro de qualquer ação política ou de regulação.

Ela levantou os principais desafios encontrados no cenário atual, com relação à melhoria do acesso por expansão de terapias em doenças mais complexas, sob o ponto de vista de trazer a abordagem de acesso para atuar e resolver problemas antigos e a necessidade de melhoria da arquitetura do sistema. Além disso, lançou os questionamentos em torno de como as ferramentas de diplomacia de saúde, o engajamento e as alianças podem rever o tempo de inovação e o tempo de se trazer um novo produto para o país. “O tempo é uma questão que precisa ser discutida, seja o tempo de registro, o tempo de retirada do que não faz sentido mais para o sistema, incorporação e desincorporação de terapias. ”, concluiu ela.

Outro ponto importante é a gestão do hospital e gestão de demanda como maneiras de ajudar na otimização, seja de leitos ou da dimensão de custos durante a hospitalização. Promover o acesso através de produtos inovadores e acessíveis economicamente requer uma gestão eficiente e efetiva, pois não é possível elaborar um produto que seja acessível sem ter o profundo conhecimento e demonstração de uma gestão com compromissos éticos.

Como possíveis soluções para esses desafios do acesso a saúde, Fernanda Machado faz menção a dois modelos inovadores. No primeiro, a ênfase está na gestão do paciente e não no produto, ou seja, no tratamento inteiro do paciente, em colocar o paciente no centro, como principal tomador de decisão de compra do medicamento e foco na transparência e ética, pois acesso passa por transparência.

Já no segundo modelo, ela chama a atenção para o impacto em cadeia e não simplesmente em processo, na questão dos riscos, de se pensar mais no valor do que na condição financeira, e na colaboração através de transferência de tecnologia. Com relação às metodologias, não se fala mais em acesso ao mercado, mas em acesso ao paciente e o que tem sido feito por ele.

Em continuação a essa discussão sobre os desafios e as tendências em acesso, o presidente do Conselho de Administração do CBEX, Francisco Balestrin, chama a atenção para a necessidade de um sistema orientado para o acesso, que hoje não existe. E para que ele seja eficiente, é preciso fazer um diagnóstico em cima dos seguintes itens:

  • Entender o ambiente do acesso e a necessidade das partes interessadas;
  • Desenvolver uma estratégia de acesso para os pacientes. O sistema deve ser centrado no paciente e nunca no comprador;
  • Criar histórias de valor baseadas em evidências, ou seja, desenvolvimento de posturas, e posicionamentos gerados nas necessidades dos pacientes;
  • Encontrar soluções para as barreiras de infraestrutura, que inclui um conjunto de pessoas que entendam, que sejam formadas e profissionais médicos de qualidade;
  • Engajamento nas políticas de saúde e regulatórias;
  • Construir colaborações, desde a questão de diplomacia em saúde e desenvolver um plano de acesso integrado. 

Não deixe de acompanhar o próximo post para saber o desfecho dessa discussão!