14
Abr
2020

Mesmo com tanta tecnologia, o papel do líder na saúde nunca foi tão fundamental.

Por: CBEXs

Artigo produzido por: Lucas Albrecht e Natália Cuminale – Mentorados do Programa CBEXs Futuro 2020

Antes de tudo, o negócio de saúde é cuidar de gente.

Liderança, motivação e cultura organizacional não são assuntos novos para os gestores de empresas, independentemente do seu setor de atuação. No entanto, embora recorrentes, eles ainda são fonte de muita dúvida e desafios para quem está no comando. As mudanças aceleradas no perfil dos novos colaboradores, nas ferramentas de trabalho e na exigência dos clientes impõem crescentes preocupações com a continuidade no desenvolvimento dos negócios.

Mais especificamente no setor de saúde, esse cenário desafiador é intensificado pela enorme complexidade operacional dos serviços prestados e por uma constante pressão pelo controle de custos sem comprometimento do desfecho clínico. Além disso, o setor passa atualmente por um profundo processo de transformação digital, no qual o paciente está cada vez mais informado e quer se tornar protagonista do próprio tratamento. 

Esse enfrentamento cotidiano de ideias e processos ainda é muito recente e, caso não seja devidamente gerenciado, expõe pacientes e suas famílias a riscos de má gestão e decisões médicas equivocadas. Por isso, uma liderança firme, atenta e inspiradora é fundamental para criar as pontes que conectam o passado com os novos protocolos e formas de se fazer saúde.

O cirurgião Paulo Chapchap, atual CEO do Hospital Sírio Libanês, ministrou uma aula sobre o tema aos alunos do CBEXs Futuro. Chapchap é reconhecido no setor por apoiar abertamente a inovação respeitando a opinião do corpo médico e assistencial, com foco na geração de valor ao paciente. Comandando uma instituição atende mais de 120 mil pacientes anualmente, o médico compartilhou alguns dos seus insights sobre a importância da liderança em saúde.

Comunicação e alinhamento: fale sempre a verdade 

Chapchap explica que a comunicação entre os diversos níveis hierárquicos de uma instituição de saúde deve ser transparente. Ele defende que as regras do jogo precisam ser comunicadas abertamente, e que todo profissional deve saber o que se espera dele, o que é aceitável e o que não é, e como ele pode se desenvolver a partir da geração de bons resultados.

Reconhecimento x salário

Os estudos de Hawthorne, entre 1924 e 1927, foram os primeiros a elucidar sobre os fatores motivacionais das pessoas no trabalho, quando se observava seu efeito na produtividade. No entanto, atualmente, uma das teorias clássicas mais bem aceitas sobre motivação foi criada por Frederick Herzberg, no ano de 1959. Ele classificou os fatores que influenciavam o trabalho em dois grupos: fatores motivacionais e fatores higiênicos.

Os fatores higiênicos, extrínsecos ao trabalho, como as condições de trabalho, o salário, a segurança e o relacionamento com os pares, não eram fatores motivadores segundo a pesquisa de Herzberg. O que realmente motiva as pessoas, de acordo com seus descobrimentos, são fatores intrínsecos ao trabalho, como reconhecimento, responsabilidade, crescimento, autonomia e a função desempenhada.

No Sírio-libanês, os resultados de Herzberg são utilizados cotidianamente como norteadores das atividades das lideranças e do processo de gestão de pessoas. Segundo Fábio Patrus, diretor de unidades externas da instituição, uma organização de saúde deve garantir uma condição mínima de fatores higiênicos compatíveis com a oferta de mercado, e se focar em estimular os fatores motivacionais para conseguirem contratar e reter os melhores talentos.

Contrate ou desenvolva o perfil certo para a função a ser executada

Para Chapchap, um bom líder é capaz de desenvolver pessoas e de formar novas lideranças. Ele explica que qualquer pessoa pode aprender qualquer assunto, mas existem diferenças de perfil que devem ser observadas pela liderança para que o profissional com as características certas seja selecionado para posições específicas. Caso a liderança não consiga encontrar o perfil certo a ser desenvolvido dentro da instituição, faz sentido buscar o profissional no mercado de trabalho.

Seja consistente e coerente: do you “walk the talk”?

É verdade que muitos líderes dizem que se manter coerente 100% do tempo é um grande desafio. Em algumas situações do dia a dia é possível que alguns limites sejam testados e que alguma concessão tenha que ser feita. No entanto, segundo Chapchap, a construção da credibilidade, essencial para um líder, passa por manter um comportamento coerente com as posições que defende e com as normas impostas pela instituição. A credibilidade, como reforçou Patrus, também é construída pelo exemplo, como a frase amplamente conhecida: a palavra convence, o exemplo arrasta. 

Embora evidente o seu impacto nas grandes instituições de saúde, a liderança eficaz é igualmente importante em empresas de pequeno e médio porte. Enquanto o mercado de trabalho ainda privilegia estabilidade, é muito comum que os profissionais escolham por atuar em empresas mais estabelecidas, dificultando muito o acesso à mão-de-obra qualificada.

No caso das startups de tecnologia do setor, chamadas de health techs, não é diferente. Essa situação levou muitos empreendedores a se aperfeiçoarem para serem melhores líderes. Mas a receita de sucesso utilizada nestes casos é a mesma que Herzberg já havia identificado: promoção dos fatores motivacionais.

O desafio da contratação de qualidade só é superado quando as lideranças desenvolvem seus liderados, entregam autonomia para tomada de decisões e permitem que as pessoas assumam riscos calculados, bonificando o bom desempenho. Aliado a tudo isso, o propósito conta muito. Cada vez mais as pessoas querem ser parte de uma mudança positiva na sociedade e essas empresas comunicam fortemente seus objetivos, com intuito de promover sua atratividade aos bons perfis profissionais.