16
Jul
2020

Gestão e comunicação devem pautar a reconexão de pacientes aos sistemas de saúde

Por: CBEXs

Líderes da saúde destacaram a telemedicina e exaltaram o SUS, essencial no enfrentamento da pandemia do coronavírus

A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona muitas fragilidades do sistema de saúde, ao mesmo tempo reiterou mais ainda a sua importância social. Hospitais tiveram que se reestruturar para conseguir atender as demandas crescentes e a gestão precisou ser repensada para permitir assistência efetiva e segura não somente ao paciente, mas também aos profissionais empenhados no cuidado e integrantes da linha de frente do combate ao vírus. 

Esta semana, o Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) promoveu o webinar “Reconectando os pacientes aos serviços de saúde”, reunindo o presidente do Chapter Rio de Janeiro do CBEXs, Evandro Tinoco; o presidente da Rede Mater Dei de Saúde, Henrique Salvador; o CEO do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini, sob a mediação do presidente do Conselho de Administração do CBEXs, Francisco Balestrin.

Tinoco abriu as exposições falando sobre o papel dos líderes da saúde, que devem estar engajados para fazer essa reconexão dos pacientes aos profissionais do mais importante sistema produtivo do Brasil e do mundo. É dever do líder não deixar ninguém sem cuidado nessa pandemia.

Telemedicina

O executivo exaltou a importância da telemedicina como ferramenta de reconexão e lembrou que, principalmente pacientes com doenças crônicas sentiram-se inseguros de ir aos hospitais no atual período por medo de uma maior possibilidade de infecção da Covid-19 e o teleatendimento está aí, permitindo uma reconexão rápida e com menor risco de contaminação. “Até porque muitos desses pacientes precisarão de cuidados e mandamos assistência em casa para fazer exames. O risco é atenuado quando se usa essa ferramenta, mas nada é isento a risco nessa fase inicial da pandemia”, afirmou Tinoco.

A partir de agora começa a se consolidar o novo normal no modelo assistencial e os gestores precisam ousar. Segundo Tinoco, existe um paciente novo, que começa a enxergar os benefícios da teleconsulta e da telemedicina, mas nada substitui a telemedicina responsável, com médicos responsáveis, com hospitais e clínicas responsáveis e médicos de família responsáveis, ou seja, todo o ecossistema agora passa a ter papel na gestão de risco.

“A gestão de saúde que não se adeque ao contexto da gestão de risco e sistemas de acreditação, que simplesmente não tinham o compromisso, o mantra diário de transformar os hospitais em centros de cuidado, seguramente serão substituídos por aqueles que focarem na gestão de risco e no cuidado centrado no paciente. Uma gestão consciente do recurso passa a ser fundamental junto com a gestão do corpo clínico, das governanças, das corporações”, garante Tinoco. 

Comunicação e acolhimento

Em suas considerações, Salvador destacou que a pandemia tem deixado ensinamentos importantes também. Para ele ficou muito claro a importância que os hospitais têm na cadeia da saúde. As pessoas veem hospitais e médicos através de relações de confiança, que foram formadas em décadas, e não só como o local onde elas tratam mazelas.

“Nesse momento de reconexão com os pacientes é preciso agilidade nas decisões, tem que se pensar em um curto prazo, mas não se pode deixar de pensar no médio e longo prazo também. Nós instituímos, por exemplo, o Comitê de Crise que se reúne todos os dias às 7h30 da manhã, que cuida de coisas como provimento de EPIs, respiradores, número de leitos, capacitação de equipe. É muito importante não abandonar os projetos de médio e longo prazo, são eles que dizem respeito a nossa perenidade e a nossa sustentabilidade”, ressaltou Salvador.

O presidente da Rede Mater Dei de Saúde também falou sobre a importância da comunicação em processos de crise. Salvador disse que é necessário comunicar adequadamente os diversos públicos, sejam eles internos, externos e as operadores de planos de saúde. A comunicação também colabora para uma reconexão mais segura. 

“Tem que se investir. Nós temos inúmeras ferramentas que permitem que isso seja feito, através de mídias sociais, através de uma conexão direta com as pessoas. Com o distanciamento social, apesar de longe, não podemos estar distantes das pessoas. Nós enquanto líderes e organizações precisamos estar próximos e disponíveis e precisamos acolher as pessoas que em determinado momento podem estar precisando desse acolhimento, seja o cliente, o corpo clínico, o colaborador, sejam todas as partes interessadas que de alguma maneira estejam envolvidas em nossa atuação do dia-a-dia”, evidenciou Salvador.

Valor em saúde

Na sequência o CEO do Hospital Moinhos de Vento disse que, no pós-pandemia, quem pode pagar pelo seu plano de saúde dará mais valor a ele e inclusive farão upgrades na cobertura, buscando melhor assistência e melhores instituições, na mesma altura do afeto pela sua família e por si próprio.

O problema nisso, diz Parrini, é a capacidade do pagamento e o desemprego que está acontecendo. “A minha percepção é que a classe média para cima vai buscar fazer upgrade para brigar para manter seu plano de saúde em instituições de alto nível. E aqueles que não puderem vão para o Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos viver uma nova fase de saúde. Talvez sejamos mais custo-efetivo, com profissionais mais produtivos, novas tecnologias surgirão”, reiterou.

Para ele, não se sabe ainda como será esse novo normal no futuro, mas se terá um país com extremas dificuldades nos próximos dois, talvez três anos. E diante disso é de extrema necessidade que se louve e valorize o SUS, que apesar de todos as deficiências de gestão, se mostrou essencial para o enfrentamento de um momento tão crítico, como a pandemia de Covid-19.