Entenda o que é feito com o sangue depois de doado e veja a importância de ser um doador frequente

Talvez o assunto “falta de doadores” seja o mais comentado, mas na verdade ele é bastante controverso na minha visão. O maior problema dos bancos de sangue é a falta da habitualidade e periodicidade de realização das doações, pois exceto em situações de catástrofes, quando acontecem picos de consumo de hemocomponentes, o grande desafio é manter os estoques equilibrados, sem que sofram impacto de questões especificas, tais como doenças sazonais, períodos de vacinação, férias escolares, feriados prolongados, festas e etc.

Grandes Campanhas de mobilização para doação de sangue geralmente acontecem em circunstâncias de excepcionalidade, já que tão grave quando faltar sangue é sobrar, pois o excesso resulta em descarte, que além do custo financeiro tem um enorme custo social, afinal ninguém se dispõe a doar sangue para que este seja descartado.

Uma vez cumpridos um conjunto de critérios de elegibilidade, homens podem doar sangue total com intervalo de 60 dias, não ultrapassando 4 doações/ano, enquanto mulheres podem doar com intervalo de 90 dias, não ultrapassando 3 doações/ano. Por outro lado, hemocomponentes tem prazo de validade, ou seja, considerando os com maior índice de utilização, os Concentrados de hemácias, em média permanecem armazenados durante 35 dias, enquanto as plaquetas por apenas 5 dias,

Resumindo a questão crucial é conscientizar a população de que em determinadas épocas do ano muitas pessoas que doam sangue regularmente podem estar temporiamente impedidas, e que, portanto, para aqueles que não tem o hábito, além de ser uma excelente oportunidade, a contribuição será de extrema relevância.

Você sabe qual o processo que o sangue passa depois de doado?

O sangue possui propriedades importantes e, através de seu processamento após a doação, pode ser utilizado com diferentes finalidades, a depender da necessidade do receptor

O sangue é composto pelo plasma, parte líquida, formada basicamente por água e proteínas, pelos glóbulos vermelhos (eritrócitos ou hemácias), responsáveis pelo transporte de oxigênio, glóbulos brancos (leucócitos), responsáveis pela defesa do organismo, e, pelas plaquetas, que auxiliam no processo de coagulação.

A bolsa de sangue total coletada é submetida a um processo chamado fracionamento, através do qual são obtidos diferentes hemocomponentes. Concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma e crioprecipitado, que estão disponíveis para uso após a liberação dos resultados dos testes sorológicos.

Os hemocomponentes têm diferentes indicações:

Concentrado de Hemácias (CH)

Utilizado no tratamento de pacientes com anemias agudas e crônicas, tais como vítimas de acidentes, pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, Talassemicos, outros.

 

Concentrado de plaquetas (CP) Utilizado para evitar o risco de hemorragias decorrentes de alterações no número ou na qualidade das plaquetas, dentre outros, pacientes em tratamentos oncológicos, submetidos ou não a quimioterapia e radioterapia e portadores de doenças plaquetárias hereditárias.

 

Plasma fresco congelado (PFC) Utilizado em pacientes com distúrbios de coagulação, em casos de transfusões maciças, motivadas por sangramentos abundantes.

 

Crioprecipitado (CRIO) Também utilizado em situações de deficiência de fatores de coagulação específicas, como deficiência de Fibrinogênio adquirida ou congênita.

Durante o processo de doação, amostras de sangue são coletadas em tubos específicos destinados a realização de testes sorológicos, para a identificação de doenças passiveis de transmissão pelo sangue, tais como doença de chagas, sifilis, hepatites B e C, HIV e HTLV.

Estes testes não têm a finalidade de diagnóstico, mas sim de triagem. Diante da ocorrência de resultados alterados, os doadores são notificados e orientados para seguimento adequado.

Por Cristina Balestrin – Gerente Executiva do Banco de Sangue da BP