A busca de consensos para formar redes de colaboração em áreas específicas da saúde torna-se ainda mais recorrente.

5
Abr
2017

Diplomacia em saúde: o cenário atual do Brasil e a atuação dos gestores da área

Por: CBEXs

A busca de consensos para formar redes de colaboração em áreas específicas da saúde torna-se ainda mais recorrente. Por meio de diversas iniciativas, as Nações Unidas, as agências de cooperação de países desenvolvidos e emergentes, e a filantropia internacional têm incluído a saúde como prioridade na agenda da cooperação internacional e dos programas de ajuda para o desenvolvimento. Este é o conceito de “diplomacia global da saúde”, ou seja, conjunto de negociações desenvolvidas em diversos níveis, que apresenta e gerencia o ambiente das políticas globais em saúde e produz melhores resultados para a população dos países envolvidos.

O assunto em questão foi abordado em rica discussão durante o último Conexão CBEXs, que aconteceu no encerramento do SAHE – South America Health Exhibition, cujo tema “Diplomacia em Saúde” trouxe Fernanda Machado, Fellow CBEXs e Diretora de Acesso ao Mercado da Sanofi Brasil, Dirceu Barbano, Fellow CBEXs e Diretor-presidente da Anvisa entre 2008 e 2014 e Antonio José Rodrigues Pereira, Superintendente do Hospital das Clínicas.

Com sua apresentação iniciada pela transmissão do conceito da diplomacia de saúde, a Fellow CBEXs Fernanda Machado o classificou como o processo que produz e leva ao alinhamento de políticas de saúde, cultura e valores. Segundo ela abordou em sua apresentação, é essencial ter a presença de diversos stakeholders, como estados-chave, regiões e grandes blocos econômicos, das associações, das ONGs e organizações que atuam no empoderamento do paciente para que esse alinhamento aconteça. “A área de saúde requer muito alinhamento e engajamento, e a diplomacia é justamente isso, a curiosidade, o estar engajado e saber um pouco de tudo. ” , conclui ela.

Brasil tem aumentado a sua presença na diplomacia da saúde

Como potência emergente global entre os países de renda média, o Brasil conquistou certa legitimidade e credibilidade mundial na área de saúde. Isto se deve ao destaque recebido na diplomacia da saúde principalmente por conta da cooperação Sul-Sul ou mais especificamente “cooperação estruturante em saúde”, que consiste no apoio ao desenvolvimento e reforço dos sistemas sociais e de saúde pela construção de instituições dos sistemas de saúde e da formação de recursos humanos chaves, como principais estratégias para a estruturação de capacidades próprias dos países em desenvolvimento.

Um dos principais centros de saúde em países em desenvolvimento está localizado no Brasil, o CRIS (Centro de Relações Internacionais em Saúde), que tem um papel muito importante, não só no Brasil, mas em Genebra. Nos grandes fóruns de saúde ele é sempre citado. Além disso, projetos atuais e pesquisas como a de Zika dão a ideia da visibilidade que o Brasil tem no ambiente de diplomacia global de saúde. O país tem estado muito mais presente em grandes programas e projetos de saúde básica ou até de alta complexidade regionais com chance de implementação e trabalho na formatação.

A assinatura do ajuste complementar ao acordo já existente entre Argentina e Brasil recentemente, com o objetivo de aumentar parceria no intercâmbio comercial, na prestação de serviços de saúde em regiões fronteiriças e na cooperação diplomática e consular, só aumenta ainda mais a visibilidade do país nas questões de diplomacia da saúde. O acordo abre a possibilidade de profissionais de serviços de emergência poderem cruzar a fronteira para atuar em casos específicos.

O papel dos gestores de saúde neste cenário

A saúde global e a diplomacia da saúde exigem novos mecanismos institucionais e profissionais de saúde pública, levando instituições acadêmicas do mundo a estabelecerem centros de pesquisa e formação de recursos humanos dedicados ao tema. Novas pesquisas e projetos ditam muita regra na forma de gestores trabalharem e tomarem decisão na área de saúde no que diz respeito à novas regras, deadlines e protocolos.
“Na minha opinião todos os agentes e executivos de saúde, independente da organização em que atuam, também são diplomatas ou embaixadores da área de saúde.”, afirmou Dirceu Barbano, Fellow CBEXs e Diretor-presidente da Anvisa entre 2008 e 2014. De acordo com ele, a diplomacia em saúde pressupõe relacionamentos, ou seja, envolve alinhamento entre todos os participantes e gestores da área, pois todos têm um objetivo em comum, querem regras de qualidade e atuar em um ambiente com ética e bem regulado.

Dirceu Barbano, deu três recomendações para as empresas e os gestores de saúde atuarem de forma mais efetiva na diplomacia:

1- As empresas que atuam na área de saúde quando chegam em outros países, precisam reconhecer que a saúde carrega uma expectativa social e com uma identidade de natureza nacional;

2- As empresas precisam ter uma percepção precisa das expectativas que estão colocadas naquela sociedade em que ela vai interagir e com as autoridades que fazem gestão da saúde da mesma;

3- A globalização das cadeias produtivas e das empresas prestadoras de serviço precisa estar conectada com os desafios mundiais, transformados em problemas, que muitas vezes são de natureza social e econômica. Não se deve fechar os olhos para esses problemas, pois doenças e epidemias são de cunho social também. As empresas de um modo geral querem dominar o mundo, mas se ocupam muito pouco de aprender a respeito dos acontecimentos de cada região. E a grande chave da diplomacia em saúde é aprender sobre o que envolve o planeta e a sociedade.

Em suma, o processo de diplomacia da saúde reforça o compromisso dos gestores de saúde em prol da iniciativa comum de assegurar a saúde como direito humano e bem público. Confiança e alinhamento são as palavras-chave para a atuação efetiva dos gestores na diplomacia em saúde.

Você se considera um diplomata da área de saúde? De que forma você e envolve nestas questões? Conte para o CBEXs .