22
Out
2019

CONEXs 2019: Trabalho colaborativo pode evitar colapso no sistema de saúde

Por: Marketing CBEXs

Painel destacou diálogo e integração como soluções para a saúde brasileira

Debate: Colapso, fato ou narrativa?

O aumento das despesas com tratamentos de saúde; os modelos de remuneração, o uso da tecnologia e as divergências, os prós e os contras do SUS e do setor privado foram alguns dos temas abordados no debate “Colapso, fato ou narrativa”, que reuniu diferentes atores da cadeia da saúde no palco do Teatro Santander, em São Paulo, no dia 15 de outubro, durante o CONEXs (Congresso Nacional de Executivos da Saúde).

“Foram levantadas questões que levaram a muitos debates, mas estamos todos no mesmo barco e vamos buscar soluções”, disse o jornalista Augusto Nunes, âncora do painel no evento realizado pelo CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde), cujo tema de 2019 foi “O novo executivo da saúde: lideranças para evitar o colapso”.

Daniel Coudry – CEO da Amil

De acordo com uma dessas lideranças, o CEO da Amil, Daniel Coudry, a área da saúde vive um momento de completa reinvenção, focado em empoderamento de pacientes, direitos e deveres. “Olham muito para os direitos e pouco para os deveres. O avanço concreto depende do alinhamento entre os players. É preciso olhar para o coletivo; o direito coletivo tem que prevalecer sobre o individual. Precisamos de um desenvolvimento colaborativo”, defendeu.

Alinhado a esse discurso, o diretor-presidente da Central Nacional da Unimed, Alexandre Ruschi, acredita que a evolução da saúde privada precisa sair do campo teórico para o prático. “Não há dúvidas do grande avanço que foi o SUS, mas a sociedade brasileira não soube cobrar e orientar o sistema público de saúde”, lamentando o contingenciamento de recursos públicos que a saúde sofreu nos últimos anos.

Claudia Cohn – Diretora executiva da Alta Excelência Diagnóstica/Operações Hospitalares Grupo DASA e conselheira do CBEXs

Para Claudia Cohn, diretora-executiva da Alta Excelência Diagnóstica/Operações Hospitalares Grupo DASA e conselheira do CBEXs, a forma mais adequada de evitar o colapso e transformar essa narrativa também é “partir para a prática”. “Existem prioridades, e colaboração é o primeiro ponto. Precisamos deixar de olhar cada um para o seu umbigo. O setor caminhou nesse sentido, mas está longe do que precisa”, completando que, além da colaboração, é preciso que haja integração. “A jornada do paciente não é a hora em que ele está no hospital ou no laboratório. É quando ele acorda”, destacando a importância de modelos e processos que tratem de prevenção. “Temos que cuidar da saúde, e não da doença”, explicou.

Lígia Bahia – Professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Crítica do atual modelo assistencial, a professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Lígia Bahia exigiu mais transparência em termos de atuação e em relação a projetos de lei sobre o tema que tramitam no Congresso de maneira secreta. Ela lembrou ainda que há casos de gestão eficiente e ineficiente tanto no SUS quanto nas instituições privadas. “Nós queremos que esse momento seja olhado com responsabilidade. Não adianta dizer que o médico é o corrupto. Existem outras soluções mais inteligentes do que acusar os médicos de conluios”, concluiu.