22
Out
2019

CONEXs 2019: Sociedade precisa se preparar para revisão do sistema de saúde

Por: Marketing CBEXs

Lideranças destacaram falta de consenso entre os diversos segmentos da saúde pública e suplementar

Painel – Diferentes elos, diferentes visões?

A culpa não é dos médicos, tampouco dos municípios ou da indústria farmacêutica. No debate “Diferentes elos, diferentes visões?”, o que não faltou foram opiniões divergentes entre os integrantes da cadeia da saúde que participaram do CONEXs (Congresso Nacional de Executivos da Saúde), no último dia 15, em São Paulo.

Organizado pelo CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde), o evento cujo tema de 2019 foi “O novo executivo da saúde: lideranças para evitar o colapso” reuniu no palco do Teatro Santander relevantes elos da indústria, como a ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios); a APM (Associação Paulista de Medicina); o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos).

Ancorada pelo jornalista Augusto Nunes, a discussão abordou o SUS, a saúde suplementar e principalmente a importância do diálogo para que ocorra a transformação necessária em um complexo sistema de saúde que beira o colapso.

Franco Pallamolla – Presidente da ABIMO

“Temos sistemas múltiplos, tanto na saúde pública quanto na suplementar, que não dialogam. Fizemos a revolução demográfica, a epidemiologia, saímos das doenças infectocontagiosas para as crônicas, mas ainda há muitos desafios, porque os autores não dialogam”, disse o Presidente da ABIMO, Franco Pallamolla.

O presidente-executivo da Sindusfarma, Nelson Mussolini, lembrou que, embora a sociedade acuse a indústria farmacêutica de inventar doenças, há alguns anos não havia mesmo enfermidades como o mal de Alzheimer ou a artrite reumatoide porque não dava tempo. “A expectativa de vida era de 49 anos e mudou graças às pessoas que estão aqui, aos hospitais e aos medicamentos”, justificou, destacando que, apesar de todos os avanços da indústria farmacêutica, o Brasil ainda carece de remédios básicos para sífilis.

“Os laboratórios públicos não fazem penicilina; querem produzir ‘iPhones 5’ em vez de telefones”, disse ele em analogia aos medicamentos de alto/baixo custo. “Laboratório público não foi feito para ganhar dinheiro, mas para fazer aquilo que o setor privado não tem mais como fazer, como produto pra diabete. Fica fácil apontar o dedo e falar que o setor privado é culpado de tudo”, completou.

O presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral, por sua vez, utilizou o espaço para defender a categoria médica. “Médicos nunca foram tão ofendidos como nos últimos 20 anos”, disse ele, que intercedeu também a favor dos pequenos municípios. “Às vezes os elos são transformados em anéis perdidos. São atribuídas a cidades pequenas responsabilidades que elas não podem assumir. É um momento de reformulação, e a sociedade não está tão preparada assim para essa revisão pelo que temos visto no Congresso Nacional”, disse ele, citando que há dezenas de emendas que, em vista de atender aos interesses de todos, acabam desfigurando os projetos de lei.

Informado a esse respeito, o secretário-executivo do Conasems, Mauro Junqueira, completou que há 70 mil projetos de lei referentes à saúde tramitando no Congresso. “É um cenário difícil. Com eleições a cada dois anos, em quatro anos tivemos cinco ministros da Saúde e três presidentes. A cada eleição são 4 mil novos secretários da Saúde, e, ao final do primeiro ano, 2 mil já haviam rodado. Secretário da Saúde é igual a técnico de time de futebol: se aumentam as reclamações, trocam como se isso fosse resolver”, comparou.

De acordo com o presidente da ABIMO, os gargalos de relacionamento são mesmo maiores que os tecnológicos, citando, por exemplo, que ainda são discutidas regras básicas referentes à telemedicina, segundo ele, “uma importante e potente ferramenta que pode permitir o acesso de muitos cidadãos à saúde”.

“A lógica econômica dos diferentes players não é totalmente convergente. Precisamos de políticas públicas estáveis e não temos tido; precisamos de uma rota estável para definir os planejamentos, o que não existe”, completou o Franco, lembrando que esse diálogo é conduzido pelo setor público.