23
Jun
2020

Complementariedade do público com o privado é fundamental para manutenção do sistema de saúde

Por: CBEXs

CBEXs reúne lideranças para debater desafios da saúde privada em tempos de pandemia

Os desafios da saúde privada em tempos de Covid-19 permearam o debate do webinar do dia 20/5, promovido pelo Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs), por meio do Conexão CBEXs Nacional. Participaram do encontro o presidente-executivo da Central Nacional Unimed, Alexandre Ruschi; o presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), Yussif Ali Mere, e a diretora-executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Vera Valente. A mediação foi do presidente do Conselho de Administração do CBEXs, Francisco Balestrin.

Hoje na saúde suplementar o que se discute é a ampliação do acesso à saúde e, cada vez mais, com o agravamento da pandemia do novo coronavírus, percebe-se o quanto é importante essa discussão com seriedade e sempre avançando. Segundo a diretora-executiva da FenaSaúde, a pandemia tem trazido diversos aprendizados, colocando como desafio maior, a necessidade de manter o sistema de saúde organizado e funcionante.

“A saúde suplementar tem 47 milhões de pessoas. É uma Espanha. Ao se atender essas pessoas também se está beneficiando o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), porque você o desafoga trazendo essas pessoas para o sistema privado. Essa complementariedade, a manutenção desse sistema funcionando coeso e justo está sendo colocada realmente em risco. Se tem uma quantidade absurda de projetos de lei, em todos os níveis, projetos pontuais, que não olham a complexidade do sistema e que estão colocando em risco que esse sistema continue funcionando”, destacou Vera

Entre os aprendizados que a crise trouxe, a executiva pontuou a implementação de forma contundente da telemedicina e do teleatendimento, formas de acesso à saúde que vieram para ficar e certamente, com ajustes, se consolidarão. Acesso esse que, segundo Vera, é um dos grandes problemas de um país com dimensões continentais como o Brasil. 

“Eu considero que todos nós temos que nos unir para manter esse sistema funcionando, afastar essas medidas populistas, porque as consequências podem ser muito graves com o avanço da pandemia”, sentenciou Vera.

Desserviço

O presidente da Fehoesp fez questão de concordar com o posicionamento de Vera acerca de “projetos populistas”. De acordo com Ali Mere, trata-se de uma “vivência diuturna do Congresso Nacional”, que se agrava em momentos como da pandemia que se vivencia agora.

“Realmente isso é um desserviço para a população, para a saúde e para o país como um todo. Evidentemente temos pessoas que não têm a mínima noção do que estão fazendo ao redigirem um projeto de lei e o colocam em votação e muitas vezes esses projetos podem ser votados e aprovados sem que ninguém saiba que ele foi aprovado”, ressaltou Ali Mere.

Segundo ele, a saúde suplementar elevou a saúde no Brasil. Em 2016 bateu-se a marca de 51 milhões de usuários, representando um boom tecnológico e de qualidade que necessita ser preservado para que se chegue aos 100 milhões. “Centros de excelência em São Paulo, como Sírio-Libanês, Albert Einstein e outros tantos se desenvolveram na base da saúde suplementar, com financiamentos advindos dela”, afirmou Ali Mere.

Reveses

Para o presidente-executivo da Central Nacional Unimed, o grande desafio na saúde privada atualmente é fazer o aposto do que se está vendo o país fazer – uma desintegração do enfrentamento de uma situação humanitária gravíssima. Ruschi reafirmou a indispensabilidade de trabalho conjunto e união das lideranças. “Não vamos sair bem disso se não estivermos unidos trabalhando com o mesmo propósito”, disse o executivo, referindo à complementariedade dos sistemas público e privado.

De acordo com Ruschi, primeiramente o compromisso da saúde é salvar vidas e preservar à sociedade o seu direito de viver. O embate ideológico que se tem no Brasil entre saúde pública e privada, é facilmente vencido por uma situação como a pandemia da Covid-19, porque a saúde suplementar, com seus mais de 50 milhões de brasileiros, está dando uma imensa contribuição para que se supere com menos sofrimento a atual crise.

“Somos uma base importante da estruturação da saúde brasileira e sofremos de um mal que foi fruto da ideologia do país, a falta de integração entre os sistemas, todos dois contemplados na Constituição de 1988 e que deviam estar trabalhando de forma uniforme, para que nós uniformizássemos os procedimentos e permitíssemos que a sociedade acessasse o sistema que melhor lhe conviesse e pudesse acessar. Nós entendemos a necessidade de um SUS forte e se assim o tivéssemos, bem estruturado e fazendo os investimentos necessários, principalmente na gestão, especialmente na forma em que ele pudesse estar compartilhando com a iniciativa privada os seus avanços, teríamos uma estrutura melhor para estar o enfrentamento deste momento”, garantiu Ruschi.