16
Jul
2020

CBEXs discute a força de trabalho na saúde pós-pandemia

Por: CBEXs

Líderes das principais consultorias da saúde abordaram workforce, reestruturação e oportunidades

A pandemia do novo coronavírus alterou consideravelmente as relações sociais e obrigou algumas reestruturações, como na maneira de se trabalhar. As organizações – e com o setor de saúde não foi diferente – precisaram se adequar às condições impostas pelo inimigo invisível e, para que pudessem continuar funcionando diante da crise, reduziram a jornada dos profissionais, ou instituíram o home office. Algumas, infelizmente, nem isso conseguiram.

Atento a essa realidade, o Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) promoveu na última semana o webinar “O que fazer com a força de trabalho pós-pandemia?”, que contou com a visão das principais consultorias da saúde sobre Workforce – Reestruturação e Oportunidades. Participaram o presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Adelvâneo Morato; o sócio-diretor da área de Healthcare na KPMG Brasil, Daniel Greca; e o sócio da Healthcare Industry na Deloitte Brazil, Luís Fernando Joaquim. A moderação foi do presidente do Conselho de Administração do CBEXs, Francisco Balestrin.

“Tudo o que estamos vivendo em 2020 entrará para a história. Esse é o cenário mais desafiador que o mundo já enfrentou nos tempos atuais. A experiência de lidar com o inimigo desconhecido e ter que se adaptar a um novo modelo de relacionamento redesenhou todos os formatos de negócios já existentes e redefiniu comportamentos populacionais. A crise nos ajuda a enxergar com maior clareza a capacidade de cada um dos negócios, das instituições que nós representamos, de como estávamos e de como precisamos estar”, afirma Morato.

De acordo com o presidente da FBH, este momento tem proporcionado imenso aprendizado que exige de todos mais preparação, adaptação às mudanças e adequação dos serviços das empresas para um novo tempo, um novo cenário totalmente imprevisível.

Joaquim concorda que se está a enfrentar uma crise naturalmente sem precedentes, causadora de um cenário totalmente inusitado e desafiador para todos. Sobre a aceitação do teletrabalho, o executivo disse perceber que dentro desse modelo existiam várias empresas que estavam receosas ou mais conservadoras, até que perceberam que não seria possível fugir dessa “nova realidade”, que caracteriza o momento de recuperação das organizações.

“Nesse momento de recuperação, as empresas começam a ter retorno gradual, seguindo protocolos de limpeza e higiene. Para essa fase, estudos apontam que 25% da força de trabalho acabará retornando. Os novos protocolos passam a fazer parte dessa recuperação”, ressalta Joaquim.

À medida que se discute teletrabalho, há forte demanda por segurança da informação. A área da saúde precisa estar muito atenta a isso. De acordo com Joaquim, os líderes e profissionais do setor precisam contribuir às empresas e a essa nova força de trabalho para que consigam se organizar não somente sob a ótica das lideranças, mas também das tecnologias e sua utilização.

Desafios e necessidades

“Manter um negócio em nosso segmento no Brasil requer muito fôlego para sobreviver e ter sucesso. Nosso setor gera milhares de empregos e é o que mais paga impostos no país. Temos maior responsabilidade social, cuidamos das vidas de pessoas; entretanto, ao longo dos últimos anos, manter a sobrevivência dos hospitais de pequeno e médio porte, cerca de 70% das organizações, tem sido um desafio hercúleo. A pandemia apenas está aprofundando uma crise que teve início há muito mais tempo. Entre 2010 e 2019, mais de 2 mil hospitais privados fecharam, período em que o setor acompanhou a perda de centenas leitos e as demissões de vários profissionais”, Lamentou Morato.

Segundo ele, é possível aumentar a capacidade hospitalar, mas é necessário entender como fazer isso. O presidente da FBH revelou que está na hora de ir para frente, colocar o país para caminhar, cobrar votação de projetos de lei de saúde, assim como ouvir a FBH com sua expertise de 50 anos. Para Morato, o setor saúde precisa de solução e principalmente de apoio financeiro para sobrevivência e desenvolvimento de todo sistema. O segmento precisa de incentivos para continuar gerando emprego.

“Precisamos investir, ampliar a capacidade hospitalar, já que ainda há muitos lugares precisando de leitos. É preciso estabelecer serviços de assistência à saúde, gerar incentivos tributários e fiscais para que o setor se desenvolva e proporcione solução não apenas para o mercado de trabalho da saúde, mas para cada vez mais prestar atenção mais digna, profissional e humana para todos os brasileiros”, ressaltou Morato.

Workforce

O executivo da KPMG Brasil, que também é fellow do CBEXs, disse que vem acompanhando o workforce da saúde há algum tempo e que, além de quantidade, é necessário pensar nesses profissionais em nível de qualidade e distribuição, já que ainda não se consegue, de forma eficiente, distribuí-los de forma equânime nas cinco regiões do país.

“Um dos legados da pandemia de que eu mais gosto talvez seja a questão da educação sanitária, enquanto a população vem entendendo mais de saúde e que ela faz parte disso. Eu vejo um legado de valorização da saúde. De tudo isso que estamos vivendo de exposição e fragilidade da saúde, a valorização dela tem que vir na sequência, no sentindo de que a saúde não pode ser mais vista como despesa, custo, mas sim como investimento”, enfatizou Greca.

Para Greca, se todos conseguirem valorizar a saúde e usar a Covid-19 como gatilho para tal, o workforce do segmento deve vir mais valorizado no pós-crise. Quem está na ponta – os profissionais de saúde de forma geral, precisam de boa experiência, bem como condições de trabalho para honrar o compromisso de entregar valor ao paciente.

“Como vou entregar uma boa experiencia para o paciente se a experiência do meu time é ruim? Não estou falando que a experiência do profissional de saúde ou do paciente é mais importante que a outra. Vale aproveitarmos esse momento para rever a experiência do profissional de saúde na jornada que ele percorre”, sentenciou Greca.