11
Mai
2020

CBEXs detalha pandemia de COVID-19 em webinar com líderes da saúde

Por: CBEXs

Entre os principais assuntos abordados, destaque para a atuação da rede hospitalar; o papel da medicina diagnóstica no combate à disseminação do novo coronavírus; e o cenário das redes municipais de atenção à saúde

No dia 7 de abril, Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs), comandou um webinar que reuniu alguns dos principais líderes do setor para atualizações sobre o cenário brasileiro na epidemia do novo coronavírus. “Tivemos a oportunidade de absorver informações sobre como liderar uma instituição hospitalar em momentos críticos como o que estamos vivendo, aprender mais sobre a relevância da medicina diagnóstica no combate à pandemia e, também, compreender os principais desafios do setor público durante a crise de saúde que o mundo enfrenta”, pontuou Balestrin.

Participaram do encontro virtual Cláudio Lottenberg, presidente do ICOS e do Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed); e Mauro Guimarães Junqueira, secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), profissionais com múltiplas experiências na gestão de saúde nacional e com ampla atuação no combate à COVID-19.

Com c mais de 250 participantes, o encontro proporcionou um panorama sobre como os gestores de saúde – tanto do setor público quanto do privado – estão direcionando seus esforços a fim de contribuir para que o país vença mais esse desafio.

As divergências encontradas em um país continental como o Brasil foram apontadas como um dos desafios por Junqueira, que reafirmou que cerca de 70% dos municípios do país têm menos de 20 mil habitantes. “São cidades de pequeno porte, com estruturas reduzidas e sem serviços de referência”, declarou ao enfatizar a importância do governo trabalhar regiões de saúde a fim de prover assistência de qualidade à todos esses municípios. 

Falando sobre a vertente hospitalar – e enfatizando que o Brasil tem um modelo de saúde hospitalocêntrico – Lottenberg relembrou a importância do achatamento da curva. “Esse é um vírus que acomete, simultaneamente, uma parcela significativa da população, sobrecarregando o sistema”, declarou. Segundo ele, essa não é uma dificuldade exclusivamente brasileira ou dos países em desenvolvimento. “Temos, no Brasil, 25 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Os EUA têm 38 leitos para cada 100 mil habitantes e, por lá, a situação também não é sustentável”, disse.

Corrida por infraestrutura – Compreende-se, então, que mundo vivencia uma crise de saúde pois nem mesmo os países mais desenvolvidos tinham uma estrutura totalmente preparada para enfrentar, com tranquilidade, um cenário como o que estamos vivendo. 

“Ninguém no mundo estava pronto para encarar um vírus de baixa letalidade mas com contaminação tão rápida”, disse Junqueira ao reforçar a importância do distanciamento social para que o país consiga achatar a curva de contaminação da COVID-19 ganhando tempo para investir em novos leitos e melhorar a infraestrutura.

Para o executivo, é hora do mundo olhar pelo retrovisor e entender a importância da saúde pública e de uma rede de atendimento complexa, consolidada e amplamente preparada. “A COVID-19 nos mostra que investir em saúde é de fundamental importância. Um novo vírus foi capaz de parar o mundo, de paralisar a economia mundial. Depois que vencermos a pandemia, a saúde será vista com outros olhos”, declarou.

O executivo também respondeu à pergunta mais comum na sociedade: quando vamos sair do isolamento? Para ele, somente sairemos quando tivermos todos os insumos disponíveis, entre eles os equipamentos de proteção individual e os de diagnóstico, e leitos preparados e suficientes para atender toda a demanda.

Medicina diagnóstica – Diante da pandemia, o setor de diagnóstico também ganhou relevância principalmente após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que testar o maior número possível de pessoas era o melhor caminho para barrar o avanço do novo coronavírus no mundo. Para explicar o papel deste segmento, o webinar contou com a expertise do atual presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

Ao explicar a atual situação dos testes de diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus no Brasil, Shcolnik concordou com a posição de Junqueira de que ninguém estava de fato preparado para esse enfrentamento. “Podemos afirmar que é um grande desafio para o setor, pois ninguém no mundo se blindou para enfrentar essa crise. Tivemos que organizar nossas infraestruturas e nossos fluxos de atendimento, buscar insumos em território nacional e no mercado internacional, e trabalhar a comunicação tanto com as comunidades médicas quanto com a sociedade”, disse.

O executivo detalhou as diferenças entre os testes disponíveis no mercado nacional e falou sobre a importância de termos exames para verificar a imunidade de profissionais de saúde para que eles possam retornar aos seus postos de trabalho contribuindo com o atendimento populacional. “Em outros países 20% dos profissionais de saúde foram infectados. Esperamos um percentual semelhante no Brasil e precisaremos desses exames para avaliar nosso impacto”, esclareceu.

Reafirmando a observação de Shcolnik de que os exames surgiram, nesta pandemia, como peça fundamental do quebra-cabeça, Balestrin trouxe à tona um posicionamento relevante sobre importância dos exames mesmo com resultados negativos, algo que vem sendo questionado no âmbito da saúde preventiva. “Muitas vezes as pessoas acreditam que o resultado negativo é desperdício. Mas, na situação que estamos vivendo, vemos que esse resultado, quando negativo, nos diz muito”, declarou.

Telemedicina – Em meados de março, a Câmara dos Deputados aprovou, em sessão remota, projeto que autoriza o uso da telemedicina, definindo a prática como “exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”. A aprovação ocorreu como mais uma ferramenta da batalha contra a pandemia do novo coronavírus. O tema também foi abordado no webinar coordenado por Balestrin. 

Falando sobre o empenho e os investimentos do Hospital Israelita Albert Einstein em sua infraestrutura de telemedicina, Lottenberg mencionou o atraso do Brasil diante dessa questão. “Nos EUA a telemedicina está regulamentada desde 1996; no Reino Unido, desde 1998. Até mesmo a Angola já trabalha com essa tecnologia”, declarou.

Saindo do cenário privado para o setor público, essa modalidade de atendimento também pode auxiliar grandiosamente o acesso de todo brasileiro a uma assistência de qualidade, como pontuou Junqueira. “Com a telemedicina e tendo os hospitais de referência como parceiros, vamos conseguir levar especialistas a todas as regiões do país. Vamos evitar os grandes deslocamentos que aumentam o risco e, inclusive, oneram as gestões municipais”, afirmou.

Depois dos entrevistados responderem às perguntas dos participantes, Balestrin encerrou o encontro virtual agradecendo a presença e interação de todos e reforçando que o CBEXs realizará novos encontros virtuais todas as quartas-feiras para trazer conteúdo de qualidade e falar da importância da liderança para que o país possa vencer os inúmeros desafios inerentes a uma cadeia tão complexa como a cadeia de saúde.